27 março 2017

Música: Born In The U.S.A - Bruce Springsteen

Dos artistas que marcaram definitivamente a minha adolescência, Bruce Springsteen está entre um dos mais emblemáticos. Longas noites ouvindo Thunder Road e Jungleland, chorando muito por sinal, dias que raiavam ao som de Dancing In the Dark, e quando comprei esse cd, foi um momento muito inesquecível da minha vida. Lembro até hoje, eu indo no shopping perto da minha casa, num dia muito quente de verão e implorando para minha mãe comprar aquele cd, entre as promessas que eu fazia para consegui-lo era que eu ficaria 2 meses sem comprar livros e não comeria nada de fora de casa, o mais engraçado que  ao sair dali eu fui correndo na lanchonete e passei na livraria e comprei uns dois livros. Mas no fundo minha mãe sabia que ela estava me dando algo que tinha uma importância muito grande para mim, e os anos passaram e isso não mudou.

Vou fazer aquela clássica resenha "track by track" aqui do blog, vamos lá:

Born In The U.S.A: A música que dá titulo ao disco tem uma batida maravilhosa contrastada com uma das vozes mais lindas e roucas do rock na minha opinião.
Sua letra fala da história de um trabalhador americano comum que vai para a guerra do Vietnã e também das dificuldades que ele enfrenta ao voltar de lá. Dizem que Bruce estava homenageando seus amigos que foram ao Vietnã e também aqueles que não retornaram e eu realmente acredito pois não deve ser incomum um americano conhecer ou ter conhecido alguém que foi ao Vietnã. É aquilo que eu sempre falo aqui, saudades do rock que tinha algo para falar, algo sério, que fizesse pensar refletir, não apenas alguns riff's de guitarra, porque para mim uma das finalidades da música em especial meu amado rock, é essa que faça refletir ou expresse algum sentimento muito profundo do artista, momento da vida, ideologia, enfim vocês entenderam, rs.

Cover-me: Para quem não sabe Bruce escreveu essa música para Donna Summer, e eu tenho mó curiosidade de saber como ficaria na voz dela. É uma música bem anos 80, muito boa de se ouvir, mas não é uma das minhas favoritas, mas enfim eu gosto bastante dela.

Darlington County: Se existe uma coisa que eu amo em música, é refrão com "la-la-la" ou nesse caso "sha-la-la" é ótimo dá para cantar junto, embalar um passinhos ou se estiver com amigos fazer um coro.
Mas falando um pouquinho da letra, é bem simples de entender que ela não fala somente do condado de Darlington e sim dos EUA em geral, e de como os jovens eram reprimidos, mas não se intimidavam diante disso, é realmente a juventude sempre teve esse espirito que alguns chamam de rebeldia e outros de liberdade.

Working On the Highway: Música com um som de uma pegada Elvis Presley, e com uma letra que é marca registrada de Bruce, contar histórias de personagens fictícios, mas com um fundo real. Essa conta a história de um cara que se apaixona por uma garota e é preso pelos irmãos dela, aparentemente pelo motivo de ele ser uma pessoa simples e daí os sonhos dele ficar com a menina já eram, mas ele como toda boa pessoa mantem o otimismo, não sei porque vejo fundos de verdade nessa musica.

Downbound Train: Essa música me lembra muito outra do Bruce "The River", porém acho essa outra ainda mais triste. mas falando dessa ela conta a história de um cara que perdeu sua namorada e agora não vê mais sentido na vida, vê os dias passando, trabalhando em algo que no fundo ele julga banal, eu realmente nunca entendi como ele perde ela, mas ok! É uma das minhas favoritas do disco e aquele tipo de musica que te faz bater a depressão.

I'm on fire: Lembra música country, pelo menos a mim e o que eu acho legal dessa música é o contraste da letra dela que é sensual, com a melodia meio lenta que dá um ar mais purista. 

No Surrender: Só o coral no começo dessa música me faz amar ela, mas ela realmente é muito lindo, não sei porque essa música me dá uma sensação de liberdade, de não precisar de nada a não ser um bom toca discos e um carro qualquer para pegar a estrada e ser livre.

Bobby Jean: Sempre vou me perguntar quem é Bobby Jean? Seria um cara? Uma garota? Nunca saberemos, mas o que temos é que a música retrata uma amizade, quase um amor, e quando eu falo em música eu estou falando de uma musica excepcional, talvez uma das melhores do Bruce, sem exageros, aquele tipo de exito musical que dificilmente o próprio artista fará igual, mas que depois de feito está feito, marca a carreira para sempre, nem preciso dizer que é uma das minhas favoritas do disco e da carreira dele.

I'm Goin' Down: Melhor letra que já vi sobre um relacionamento desgastado, retrata exatamente o que passa um casal nessa fase do relacionamento, e além da letra linda (que serve exatamente para você amigo leitor que tá passando por essa situação) a melodia é maravilhosa, com uma mescla de pop e rock clássico. Por sinal se você tem um relacionamento que tá meio morno, escute essa música, vai te deixar mais para baixo, mas pelo menos você tem trilha sonora para esse momento.

Glory Days: Falando da juventude agora, como ela é gloriosa e como ela passa, a música se foca em algo bem comum nos Estados Unidos, que é os meninos que jogam beisebol e de como eles são praticamente idolatrados pelos colegas, pois é Glory Days fala sobre o que acontece depois dessa época, os dias de gloria passam, eles ficam mais velhos e lá se foi a juventude, parece triste, mas é a realidade.

Dancing In The Dark: Essa me marcou, mas não vou falar de mim e sim da musica que talvez seja a melhor desse disco e o maior sucesso da carreira do Bruce, não tem como ouvir essa música e não se apaixonar por ela. Falando sobre a vida, sobre a banalidade dela, sem nenhuma grande filosofia, apenas narrando a história de um cara comum que está meio cansado de ser comum, mas ele não tem muito o que fazer, essa música é a prova viva que a beleza de uma letra está na simplicidade.

My Hometown: Assim como a anterior, mas talvez mais ainda, essa música tem uma letra muito simples e sinceramente parece que ele está contando uma história (e está) talvez a história da vida dele ou de alguém que conheceu. Com uma melodia suave a ultima faixa do disco é um fechamento melancólico, mas muito digno para o disco como um todo ficar na memória.

Esse é meu segundo disco favorito do Bruce perdendo somente para o Born To Run, não sei se é pelos meus motivos pessoais, mas acho que todos ouvem esse álbum ficam com pelo menos uma faixa na memória. Para mim esse álbum prova que Bruce Springsteen é um dos maiores compositores americanos, ele tem o dom de contar histórias nas suas músicas, coisas que são simples e complexas ao mesmo tempo. Não é a toa que esse álbum está na lista dos 200 definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, é uma lição de como se fazer rock e digo mais é uma lição de como se fazer música.
Vou deixar ele no spotify para vocês, é isso, peço desculpas pela ausência eu estava viajando, mas pretendo continuar postando aqui não se preocupem, abraços e até a próxima.


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