30 março 2017

Livros: Kafka - Um artista da fome (seguido de na colonia penal e outras histórias)

Fazia tempo que eu não publicava nada nessa sessão, mas vou tirar o atraso com um dos livros mais marcantes da minha vida.
Kafka não deve ser lido, deve ser sentido, absorvido. Esse livro tem um significado muito especial para mim também porque foi a minha avó que comprou ele para mim antes de falecer.
Eu poderia tentar fazer uma analise muito profunda dele, mas não me atrevo. Vou me ater ao básico, as impressões que tirei e vou tentar instigar ao máximo vocês lerem essa obra.



Primeira dor:
O primeiro conto dessa edição, narra a vida de um Trapezista. todo mundo sabe que essa profissão exige uma perfeição sem igual, qualquer tropeço, erro pode ser fatal. Kafka queria mostrar uma realidade do ser humano moderno nesse conto, nos dias atuais nossa vida é ditada pela perfeição, temos que alcança-la senão não chegamos ao conceito que criamos de felicidade, acontece que na maioria das vezes essa busca insaciável pela perfeição só traz infelicidade e era exatamente assim que o trapezista se sentia, infeliz. Quantos de nós nunca chegamos do trabalho, faculdade, em um dia que nada deu errado, tudo deu certo, temos tudo o que precisamos mais até, mas no final do dia nos sentamos e sentimos um vazio tão grande e parece que nada valeu a pena, todo aquele esforço foi em vão, é mais comum do que podemos imaginar.

Uma pequena Mulher:
Nesse conto Kafka traz toda a superficialidade do ser humano para fora. Dá para se perguntar quem é mais superficial a mulher ou o narrador? E reformular a pergunta com: quem analisamos? ou nós mesmos? Todo mundo já julgou alguem sem conhecer, somente por um olhar e poucas ou até mesmo nenhuma conversa. Com a internet isso se tornou mais comum ainda, vemos o perfil de alguém numa rede social e logo já achamos que conhecemos a pessoa, é um dos males do homem moderno, que Franz Kafka retrata aqui.

Um artista da fome:
Talvez o conto mais autobiográfico de Kafka, traz reflexões interessantes sobre a arte em si. A principal delas é que não importa qual seja a arte o que torna ela uma arte é a paixão que o artista tem pelo feito, Kafka nunca escondeu que a paixão de sua vida era escrever, ele praticamente se absteve de tudo o que tinha e fazia para se dedicar as palavras e muitos talvez dissessem a ele que isso era uma loucura, e assim como tentam persuadir o artista da fome a comer, com certeza tentaram fazer isso com Kafka em relação a outras coisas da vida. Talvez a obra de Kafka seja tão emblemática e inesquecivel por isso, ele se dedicou ao que fazia, como poucos, igual o artista da fome.

Josefine, a cantora de Ou povo dos ratos:
Narrando a realidade da arte e dos artistas, esse é um dos últimos contos de Kafka. Josefine define o que a maioria dos artistas quer: reconhecimento. E quando o alcançam e são idolatrados por multidões a questão que fica é, porque eles são tão idolatrados? Não seriam seres humanos comuns, passiveis de erros e fadados a morte e intempéries da vida como todos nós? Qual a real diferença entre eles e nós? Qual era a diferença entre Josefine e os ratos? Acho que no fundo todos sabemos da resposta.

Na colonia penal:
Com um cenário digno dos piores filmes de terror, essa novela é uma leitura torturante, pesada,
Mas não devemos nos impressionar tanto, pois o objetivo dela é justamente narrar todos os crimes cometidos pela humanidade e Kafka enxerga antes os crimes que iriam continuar acontecendo entre nós.
Kafka era inteligente e como toda pessoa assim ele sabia que sempre haveria pessoas defensoras e adeptas a autoritarismo o causador de todas as desgraças que existiram até hoje. E ele era tão visionário que via coisas que aconteceriam somente na segunda guerra mundial, sendo que o livro foi escrito em 1914, é impressionante.

Concluindo texto, posso dizer que ele ficou mais profundo e analítico do que eu imaginava que seria e isso que me dá prazer de escrever, eu nunca sei que rumo vai tomar.
Kafka é um autor essencial na prateleira de qualquer um, os livros não são grandes em volume, mas enormes em reflexões.
Para mim ele é um dos maiores escritores do século XX, junto com Camus, Samuel Beckett e Herman Hesse, são escritores que compreenderam o ser humano de uma forma singular.
Espero que tenham gostado até a próxima!

2 comentários:

  1. Óptima indicação, Ioio. Conheci seu blog de um outro blog, o da minha amiga Anny.
    Parabéns pelo seu trabalho no blog!
    Ah, gostei muito do seu apelido!

    O blog da Anny:
    http://nossoultimoato.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Danilo, fico feliz que tenha gostado!
      Ah, meu apelido? Confesso que eu não gostava muito dele não, mas depois o aderi para a vida!

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